13/01/2010 09:18
Irredutivelmente Fascinante
IRREDUTIVELMENTE FASCINANTE
Traços da vida do Antigo Aluno e Jornalista Júlio Mesquita Filho
As 480 páginas da obra do Diplomata e Antigo Aluno Roberto Aldo Salone (Turma 2000) sobre o lembrado Diretor de o “O ESTADO DE SÃO PAULO”, intitulada “Irredutivelmente Liberal - Política e Cultura na trajetória de Julio Mesquita Filho”, não devem ser lidas com pressa. Elas merecem ( e precisam) ser refletidas pelo leitor. Sugestão que fazem o Professor e Antigo Aluno Celso Lafer e o Jornalista Ruy Mesquita Filho, que é neto da personagem principal. Celso Lafer prefacia a obra e o jornalista faz a sua apresentação.
Desafiado para defender a sua tese de mestrado em Diplomacia no Instituto Rio Branco, Roberto Aldo Salone mergulhou na saga deste exemplo de liberalismo tupiniquim que, a despeito de ter sido exilado político em duas ocasiões, jamais abandonou a trincheira da livre imprensa para expressar as suas convicções.
Julio Mesquita Filho foi antes de tudo, polêmico. Sua linha de pensamento nem sempre foi aquela que mais convinha a expansão comercial do próprio jornal da família Mesquita. Tampouco, seu livre pensar esteve sintonizado com a multifacetada Redação daquele veículo, constituída por brasileiros e “oriundi”, liberais, democratas, socialistas ou comunistas, cristãos, judeus ou muçulmanos. Entretanto, a direção de Julio Mesquita Filho jamais se afastou dos ideais liberais que, no início do século que se encerrou fazem 10 anos, marcaram a sociedade, a política, a cultura e a economia brasileiras.
A personagem escolhida Salone tornou-se um operário na construção da Universidade de São Paulo. Essa notável instituição do saber, que hoje tem na sua Reitoria o arcadiano Professor João Grandino Rodas, ao ser fundada, pode dispor do espaço redacional para que os professores da USP expusessem suas ideais, discutissem suas teorias, conforme relatou o Professor Marco Antonio Villa (OESP - Caderno 2 -25.12.09). Sempre.
O autor da obra recém lançada, tangenciando a personagem escolhida, costurou extensa e exaustiva pesquisa na vida política e cultural brasileiras do período. E o fez com raro brilhantismo e sensível acuidade.
Todavia, ele assinala que a grande luta de Julio Mesquita Filho foi contra censura institucional imposta ao seu veículo de comunicação. Contra aquilo que chamava de “mordaça” foi sempre com tenaz contendor. E, como um capricho de destino, em pleno século XXI, quando nosso País comemora mais de 20 anos de seguidas e democráticas eleições, o “seu jornal” volta ficar sob a égide de inexplicável censura instituída pelo Poder Judiciário. Sem dúvida, uma crucial coincidência.
A vida de Julio Mesquita Filho, bem como o legado que nos deixou, presentes em cada edição do tradicional “Estadão”,pode(rão) ser melhor compreendidos se utilizarmos a mesma lente poderosa da qual se valeu o jovem escritor Roberto Aldo Salone para produzir o livro que está à disposição do leitor brasileiro. Obra que deveria ser consultado por todos os que buscam a compreensão, até os dias de hoje, da perplexidade que acomete os que tentam entender determinados fatos sócio-econômicos, políticos e culturais desta Nação.(CRC)