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Sidney Gioielli
Em homenagem póstuma a Sidney Gioielli, a pedido de sua Esposa Adna, publicamos a carta a ele dirigida, escrita por Luiz Gomes (Camões), seu Colega de Turma, cujo teor transcrevemos abaixo e na qual tece comentários a respeito do livro"Bacharéis do IV Centenário", de autoria de Sidney, especialmente escrito para celebrar os cinqüenta anos de formatura dos Colegas da Turma do IV Centenário da nossa faculdade.
Outrossim, abre-se a oportunidade de ver ali registrado o perfil - agora saudoso - do escritor, poeta e cronista Sidney Gioielli, cuja memória, desde já inscrita no panteão da historia da literatura.
São Paulo, 29 de Janeiro de 2005.
Caríssimo Sidney
Saúde. Já não era sem tempo.
No entanto, procuro resgatar o tempo já ido mediante considerações que julgo oportunas.
Autor, entre outros, de "Filhos Joviais de ...", de "As Quatro Estações" e de "Bacharéis do IV Centenário". Quanto ao juízo de valor que tenho dessas obras, óbvio é o reconhecimento mas é este o momento oportuno, que é recente, para algumas considerações.
Refiro-me, sem dúvida, ao seu livro "Bacharéis do IV Centenário", verdadeira obra de arte, cuja leitura, uma vez iniciada, fascina, prende de tal modo a atenção que não permite seja interrompida. Retórica? Não. Pura verdade!...
De que valeriam os fatos narrados, não fora a pena que os escreve? Esta há de sempre fluir, correr mansamente até alcançar o topo desejado da vontade de ver concretizada a memória do nosso tempo, perpetuada em fatos e fotos e escritos referentes aos colegas da Turma do IV Centenário.
Estilo conciso, a bela arte de dizer conciso, aliás um dos méritos do livro, traça, com precisão, o panorama culturalmente vivido de então, imprimindo muita vida, sabor e saber, nada deixando escapar para delícia e fruição do leitor.
Os personagens, reais, aliás, são descritos com precisão escultural, o que permite, prontamente, ao leitor a identificação de cada um deles. Posso, certamente dizer: eis-me no bronze gravado das literárias páginas de Sidney Gioielli. Como eu, tantos outros Colegas mereceram iguais honrarias, todos agora inscritos no Panteão de seu Memorial (de qualidade literária incontestável) destinado a perpetuar a memória de "todos os que passaram pela Catedral do Direito do Largo de São Francisco e souberam perceber sua eternidade".
Se a intenção era assinalar uma data festiva e perpetuá-la, como Você exprime no Gênese do Memorial (fl. 7), acertou inteiramente.
Hoje é realidade.
Foram muitos os Colegas enumerados e celebrados, dentro os quais fui incluído. E destacado. Não certamente por o merecer mas por generosidade sua - do Colega, do Amigo, do Irmão - sempre acolhedor. Haja vista o apenso (fl. 139/140), onde Você registrou minha poesia dedicada à nossa Turma.
Cumpre, finalmente, ressaltar um aspecto relevante: quantas horas, quantos dias, quantos meses diuturnamente dedicados à realização do livro!... Para isso, certamente, concorreu - e muito - a colaboração, a compreensão, a dedicação e paciência de Adna, sua querida e amorosa Esposa, e de seus queridos filhos, Stella e Vicente. Sem esquecer o computador - capaz de tudo, menos de amor - manuseado soberanamente por Stella e Vicente, "sem os quais a tarefa teria sido mais difícil. Ou quase impossível". Por isso, e muito mais, obrigado. Obrigado, Sidney. Parabéns. Quanto às incompreensões ou "críticas", lembro Castro Alves, em Hinos do Equador, "Do gênio a estrada é difícil". Ou, ainda, Castro Alves, parafraseando: "Ao estatuário nada amedronta; até o infinito cinzela". Pois bem, "Éramos felizes e acho que sabíamos". Lembranças a Adna, Stella e Vicente. A Você, prezado Amigo, o abraço fraternal do modesto, mas sincero e leal Amigo,
Luiz Gomes (Camões)